Como o emagrecimento acelerado impacta o intestino e a microbiota?
Se você está passando por um processo de emagrecimento acelerado, seja com o auxílio de medicamentos mais recentes, seja após uma cirurgia bariátrica, talvez já tenha percebido que as mudanças vão além do número na balança. O intestino também faz parte dessa transformação.
Por mais que o foco muitas vezes fique apenas na perda de peso corporal, é importante mencionar que a saúde intestinal desempenha um papel fundamental para que esse processo seja mais confortável, equilibrado e sustentável.
O que muda no intestino durante o emagrecimento rápido
Atualmente, muitas estratégias de emagrecimento atuam de maneira a reduzir o apetite e deixar a digestão mais lenta. Esse mecanismo ajuda a prolongar a sensação de saciedade, mas também pode impactar o funcionamento do sistema digestivo.
Com a maior lentidão do esvaziamento gástrico e do trânsito intestinal, o organismo precisa se adaptar a um novo ritmo. Não é incomum que, nesse período, surjam sintomas como náuseas, prisão de ventre ou diarreia. O intestino, que antes lidava com volumes maiores de alimento, passa a receber menos comida e a trabalhar de forma diferente.
Além disso, o excesso de peso costuma estar associado a um estado de inflamação crônica e um desequilíbrio das bactérias intestinais. O emagrecimento busca corrigir esse cenário, mas a transição pode gerar desconfortos temporários até que o organismo se ajuste.
Como o emagrecimento afeta a microbiota intestinal
A perda de peso corporal mais intensa também altera o perfil das bactérias que vivem no intestino, a chamada microbiota intestinal. No caso de pessoas que passam por cirurgia bariátrica, por exemplo, estudos mostram o aumento da população de determinadas bactérias, o que modifica a forma como o corpo aproveita a energia dos alimentos.
Essas mudanças são importantes porque a microbiota não participa apenas da digestão. Ela atua na absorção de nutrientes essenciais, como vitaminas do complexo B, vitamina K e minerais, como ferro e magnésio, nutrientes que já podem estar em níveis reduzidos em pessoas com obesidade.
Por isso, manter o intestino saudável durante o processo de emagrecimento é essencial para evitar possíveis deficiências nutricionais e preservar o bem-estar.
Probióticos no emagrecimento e na saúde intestinal
Os probióticos, bactérias benéficas ao organismo, podem ser grandes aliados nesse processo. Seus benefícios vão além da regulação do trânsito intestinal:
Redução de inflamação e medidas abdominais
Revisões de estudos realizados com pacientes submetidos à cirurgia bariátrica mostram que, mesmo sem aumentar de forma expressiva a perda total de peso corporal, os probióticos contribuíram para a redução da circunferência da cintura e dos níveis de marcadores inflamatórios.
Apoio ao metabolismo
O uso de probióticos também foi associado à melhora das concentrações de triglicerídeos e de marcadores relacionados à saúde do fígado, o que auxilia o metabolismo durante o emagrecimento.
Mais conforto digestivo
Os probióticos ajudam a equilibrar o trânsito intestinal, de modo a aliviar sintomas como constipação ou diarreia, comuns nas fases iniciais do processo.
Hábitos que ajudam ou prejudicam a saúde intestinal
Alguns cuidados simples fazem a diferença para proteger o intestino durante o emagrecimento acelerado.
O que ajuda:
- Hidratação adequada
Beber pouca água pode piorar a prisão de ventre e a náusea. A recomendação geral é consumir entre 1,5 litro e 2 litros de água por dia. Se houver sensação de estufamento, prefira ingerir líquidos de 30 a 60 minutos antes ou depois das refeições. - Consumo de fibras com estratégia
Com a redução do volume alimentar, a ingestão de fibras costuma cair. Alimentos como kiwi, ameixa seca ou fibras suplementares, quando indicados por profissionais de saúde, ajudam a regular o intestino. - Comer com calma
Mastigar bem os alimentos e respeitar os sinais de saciedade reduz o desconforto abdominal.
O que atrapalha:
- Deitar logo após comer
Esse hábito favorece refluxo e azia, especialmente quando a digestão está mais lenta. - Usar canudos para tomar líquidos
Pode parecer detalhe, mas essa prática aumenta a ingestão de ar, o que contribui para a formação de gases e consequentemente distensão abdominal. - Dietas pobres em nutrientes
Como o volume de comida é menor, a qualidade da alimentação se torna ainda mais importante. Dietas excessivamente restritivas podem levar à perda de massa muscular e às deficiências vitamínicas, o que torna comum a necessidade de suplementação orientada por profissionais de saúde.
Se interessou pelo impacto da saúde intestinal no bem-estar? Então acesse e descubra o papel dos prebióticos para a imunidade.
O emagrecimento acelerado representa uma grande mudança para todo o organismo, e o intestino faz parte dessa adaptação. Cuidar da saúde gastrointestinal com hidratação adequada, ingestão de fibras, adoção de hábitos conscientes e, quando indicado, uso de probióticos, ajuda a reduzir desconfortos e favorece o equilíbrio metabólico. Para orientações individualizadas sobre alimentação, suplementação e cuidados intestinais, converse sempre com seu médico ou nutricionista.
Fonte: https://www.mdpi.com/2076-3417/14/11/4489
https://www.mdpi.com/2077-0383/12/1/145
https://www.mdpi.com/2072-6643/13/10/3386
https://www.mdpi.com/2673-4168/4/4/39
https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2667368125000531