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Emagrecimento além da balança: o que muda no corpo durante a perda de peso

Publicado em 12 de janeiro de 2026

Quando você decide emagrecer, é natural que o número da balança se torne o grande protagonista. Mas o que muita gente não percebe é que, enquanto o peso diminui, o corpo passa por uma série de mudanças silenciosas e importantes.
Emagrecer não é apenas “queimar gordura”. É um processo complexo, que envolve adaptações metabólicas, hormonais e nutricionais. Entender o que acontece por dentro é essencial para que a perda de peso seja saudável, sustentável e sem prejuízos para seu bem-estar.

Neste artigo, vamos conversar sobre como o corpo reage ao processo de emagrecimento, os riscos da perda de peso muito rápida e por que cuidar da nutrição faz toda a diferença nesse caminho.

Para onde vai a gordura quando emagrecemos?
Quando entra em déficit calórico, o corpo começa a usar a gordura armazenada como fonte de energia. Esse processo libera subprodutos, eliminados principalmente pela respiração, sob a forma de dióxido de carbono. Uma parte menor também sai pela urina e pelo suor.


Ou seja: boa parte da gordura “vai embora” quando você respira.

O alerta da perda de peso acelerada
Com o avanço de novos tratamentos para obesidade, muitas pessoas têm perdido peso de forma rápida e significativa. Apesar dos bons resultados na balança, esse ritmo acelerado pode trazer alguns desafios.

Esses tratamentos são capazes de reduzir bastante o apetite, o que pode dificultar a ingestão adequada de nutrientes essenciais. Estudos mostram que, durante o processo de emagrecimento rápido, é comum não atingir as recomendações diárias de vitaminas e minerais importantes, como:

  • cálcio e vitamina D, fundamentais para a saúde dos ossos;
  • ferro, magnésio e potássio, essenciais para a energia e a função muscular;
  • vitaminas do complexo B, que participam diretamente do metabolismo.

Quando o consumo de alimentos diminui demais, o corpo pode entrar em um modo de “economia”, o que dificulta a queima de gordura e até impacta o sistema imunológico.

Você está perdendo gordura ou massa muscular?
Esse é um ponto crucial. Em processos de emagrecimento rápido, uma parte significativa do peso perdido pode vir da massa magra, ou seja, dos músculos.

De acordo com artigo publicado no periódico BMJ Nutrition, Prevention & Health, de 25% a 40% do peso perdido em alguns tratamentos para emagrecer pode ser de massa muscular, e não de gordura. Isso aumenta o risco de sarcopenia, condição associada à perda de força, de mobilidade e de qualidade de vida.
Além disso, o músculo é metabolicamente ativo. Quanto menos massa muscular você tem, menor tende a ser o seu gasto calórico diário, o que facilita o reganho de peso no futuro.

Por isso, durante o processo de emagrecimento, a ingestão de proteínas precisa ser ainda mais cuidadosa. Em muitos casos, a necessidade pode chegar a cerca de 1,2 g a 2,0 g de proteína por quilo de peso corporal. Quando se come menos, nem sempre é fácil atingir essa meta apenas com a alimentação.


Por que o peso costuma voltar?
O famoso “efeito rebote” não acontece por falta de força de vontade. O corpo tem mecanismos naturais para tentar recuperar o peso perdido.

Após o emagrecimento, podem ocorrer:

  1. aumento da fome, devido a mudanças nos níveis dos hormônios que regulam o apetite;
  2. adaptação metabólica, em que o corpo passa a gastar menos energia;
  3. memória da obesidade, fenômeno estudado recentemente, em que o tecido adiposo e o sistema imunológico tendem a “lembrar” o peso anterior.

Tudo isso pode se tornar um desafio para a manutenção do peso conquistado no processo de emagrecimento, especialmente se não houver acompanhamento profissional adequado.

Nutrição, suplementação e acompanhamento fazem a diferença
Diante de tantas adaptações do organismo, o cuidado nutricional se torna parte essencial do tratamento. Assim como acontece após a cirurgia bariátrica, as pessoas submetidas a outros processos de emagrecimento acelerado podem precisar de:

  • suplementação de vitaminas e minerais, para compensar a menor ingestão alimentar;
  • suplementação proteica, para ajudar a preservar a massa muscular;
  • monitoramento regular, por meio da realização de exames laboratoriais para avaliar níveis de ferro, vitamina B12, vitamina D e outros nutrientes importantes.

Esses cuidados ajudam a prevenir deficiências nutricionais, preservar o equilíbrio do metabolismo e tornar o emagrecimento mais seguro.

A obesidade pode impactar a mobilidade e provocar a manifestação de condições como a osteoartrite? Acesse e descubra em: Cuide da sua mobilidade e passe longe da osteoartrite.

Emagrecer é mais do que perder peso
A perda de peso é, sim, uma transformação, mas ela precisa acontecer com a devida atenção ao corpo como um todo. Não se trata apenas de reduzir medidas, e sim de manter músculos fortes, metabolismo ativo e saúde em equilíbrio.

Conversar com médicos e nutricionistas ao longo dessa jornada é fundamental para ajustar a alimentação, avaliar a necessidade de suplementação e garantir que o processo de emagrecimento seja sinônimo de bem-estar, hoje e no futuro.

Seu corpo está mudando. Cuidar dele em cada etapa faz toda a diferença.

Fonte: https://www.anad.org.br/como-o-corpo-reage-as-mudancas-na-dieta/
https://www.webmd.com/obesity/ss/slideshow-what-happens-when-you-lose-lot-weight
https://www.medicalnewstoday.com/articles/when-you-lose-weight-where-does-it-go
https://link.springer.com/article/10.1007/s13679-025-00619-x
https://www.frontiersin.org/journals/nutrition/articles/10.3389/fnut.2025.1566498/full
https://www.mdpi.com/2072-6643/17/23/3659
https://nutrition.bmj.com/content/bmjnph/early/2025/03/02/bmjnph-2025-001206.full.pdf
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40289060/
https://www.mdpi.com/1422-0067/24/13/10449

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