Emagrecimento rápido com canetas ou bariátrica aumenta em 15% risco de cirurgia na vesícula
Emagrecimento acelerado provocado pelos medicamentos eleva propensão à formação de pedras na vesícula e pode exigir cirurgia para retirada do órgão
O Brasil se tornou um dos maiores mercados mundiais de canetas emagrecedoras e, há anos, o país também tem um elevado número de cirurgias bariátricas anualmente. O emagrecimento acelerado provocado por esses métodos aumenta o risco de formação de cálculos biliares e outras complicações na vesícula. O alerta é do doutor Luiz Turatti, diretor do Departamento de Diabetes Tipo 2 e Pré-Diabetes da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).
O emagrecimento brusco eleva a propensão à colelitíase, condição caracterizada pela formação de cálculos biliares. A perda de peso rápida também provoca inflamações e outras complicações hepatobiliares. Pacientes que emagrecem rapidamente podem necessitar de cirurgia para retirada da vesícula como consequência dessas complicações.
Velocidade do emagrecimento determina gravidade dos riscos
O metabolismo sofre alterações quando a perda de peso acontece de forma acelerada. O risco de complicações aumenta consideravelmente quando ocorre redução superior a 1,5 kg por semana. A perda de mais de 24% do peso corporal inicial também eleva as chances de problemas na vesícula.
Outros fatores contribuem para o surgimento da condição. Pessoas do sexo feminino apresentam maior propensão. Idade avançada, obesidade preexistente, presença de dislipidemia e histórico familiar de cálculos biliares também elevam os riscos.
Os pacientes submetidos a procedimentos de emagrecimento rápido são os principais afetados. Cirurgia bariátrica e uso de canetas emagrecedoras lideram as situações de risco.
"Estudos indicam que até 15% dos pacientes submetidos à bariátrica precisarão, posteriormente, de cirurgia para remoção da vesícula", alerta o doutor Turatti.
"Os pacientes precisam ser alertados de que emagrecer rápido não está isento de riscos para a saúde. É fundamental que a equipe médica faça avaliação individualizada e considere estratégias preventivas", reforça o especialista.
Prevenção
Um ácido ursodesoxicólico (AUDC), lançado recentemente pela Biolab, tem o objetivo de controlar as consequências na vesícula biliar.
"O ácido ursodesoxicólico contribui para a diminuição da saturação da bile com colesterol, reduzindo a formação de cálculos. É um recurso eficaz, seguro e que pode evitar complicações graves. No entanto, ainda é preciso de diretrizes claras para orientar médicos e pacientes", detalha o doutor Turatti. "O que preocupa é que há muitos pacientes sem acompanhamento e informação adequada. O conhecimento é nossa maior ferramenta para evitar problemas sérios", completa o especialista.
A Federação Internacional de Cirurgia da Obesidade e Transtornos Metabólicos (IFSO) e a Sociedade Americana de Cirurgia Metabólica e Bariátrica (ASMBS) publicaram diretrizes em 2022 com recomendações que ampliam os critérios para realização da cirurgia bariátrica. As entidades também reforçam medidas preventivas para problemas na vesícula biliar após o procedimento.
As diretrizes enfatizam simultaneamente a necessidade de prevenção de complicações relacionadas à vesícula biliar no período pós-operatório. As medidas foram elaboradas para atualizar os parâmetros de indicação cirúrgica e para estabelecer ações que reduzam riscos de complicações biliares associadas ao procedimento bariátrico.
As recomendações impactam pacientes candidatos à cirurgia bariátrica e aqueles que já realizaram o procedimento e orientam equipes médicas que atuam nessa área.
As diretrizes também recomendam o uso de ácido ursodesoxicólico (AUDC) por via oral. As doses indicadas são de 500 a 600 mg ao dia, de forma contínua. O medicamento está associado à redução do risco de formação de cálculos biliares.
"É fundamental identificar quem tem maior risco, acompanhar de perto esses pacientes e estudar formas seguras de prevenção, garantindo mais segurança e saúde durante o processo de emagrecimento", assinala o doutor Turatti.
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